Jornalismo 2.0

Os jornais impressos estão em crise e isso não se deve apenas à economia, a própria linguagem do jornalismo está sofrendo uma metamorfose diante da influência do mundo digital. O jornalismo 2.0 representa uma mudança profunda na forma da produção e edição de notícias, na relação entre o jornalista e o leitor e no acesso à informação.

O jornalismo digital não é apenas a transcrição de uma notícia impressa para a página online de um jornal. A participação instantânea do leitor com comentários e até mesmo com textos e fotos de sua autoria, a interação e o compartilhamento descentralizado de informações são fatores da narrativa digital que não podem ser replicados em um impresso. 

A principal marca deste novo jornalismo é a presença do leitor, que não é mais passivo e agora faz parte do processo de produção jornalística. Ele traz o feedback instantâneo às matérias do jornalista, envia fotos de acontecimentos, divulga as informações através de seus vários contatos na blogosfera e redes sociais. “O jornalismo mudou. Está virando uma conversa. Não é mais via de mão única.” declarou Giles Wilson, editor de blogs da BBC ao Link do Estadão.

Esse jornalismo de mão dupla é conhecido também como jornalismo cidadão. É um jornalismo produzido pelos próprios leitores em colaboração com jornalistas profissionais. Tem gerado forte polêmica pois coloca em questão o próprio papel do jornalista atual. Afinal se os próprios leitores produzem e divulgam a informação qual a necessidade de um jornalista ?

A aparente falta da necessidade do jornalista no meio digital se deve a uma mudança na forma como a notícia está sendo acessada. Os impressos estão perdendo espaço para o mundo digital mas ao invés dos leitores migrarem para os respectivos sites de notícias eles estão passando a acessar informações através de redes sociais. Para os que participam destas redes não há necessidade de ir atrás das notícias, é a notícia que deve chegar ao internauta.

Para acompanhar essa tendência os jornais estão se adaptando. Tentaram atrair os leitores através de portais, mas como linguagem o portal é apenas uma transcrição estática do jornal impresso para o mundo virtual. A solução encontrada e que está se tornardo extremamente popular é a criação de redes sociais de notícias. Um orkut jornalístico que permite o jornalismo participativo e cidadão.

Mas a rede social não elimina o jornalista. Ele ainda é necessário no processo de produção pois precisa assegurar a credibilidade dos fatos e a qualidade da notícia. Segundo Jean François Fogel, diretor de internet do jornal Le Monde, em entrevista ao Link: “O jornalismo continua a ser a mesma coisa: independente, responsável. A diferença é que agora é preciso ser melhor do que a sua audiência, que, em uma certa medida, compete com você.”

O jornalismo 2.0 continua portanto em uma fase experimental, onde já é possível descobrir tendências e criar novas possibilidades de lidar com a produção e o consumo de notícias.

Para quem estiver interessado segue uma lista de redes sociais de notícias pertencentes a famosas empresas nacionais e internacionais:

Le Post – Do jornal francês Le Monde.

iReport – Do canal de televisão americano CNN.

Current – Do canal de televisão participativo de Al Gore

Globo Amazônia – Da Rede Globo, site onde os internautas denunciam desmatamentos com a ajuda de um mapa interativo.

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