Jornalismo impresso vs Jornalismo cidadão: a questão da credibilidade

Um dos principais temas em debate na crise do jornalismo impresso e na ascensão do jornalismo colaborativo envolve a credibilidade. Críticos do jornalismo colaborativo temem que aqueles que fornecem informação para as redes sociais de notícias não checam os fatos. Isto pode levar a notícias falsas e a deterioração do jornalismo como um todo. Caso emblemático é uma falsa notícia que circulou no iReport, site da CNN onde o conteúdo é produzido pelos próprios usuários. Um de seus colaboradores alardeou que Steve Jobs, CEO da Apple, teria sofrido um ataque cardíaco. A notícia foi publicada no ar durante 12 minutos antes de ser removida pela CNN mas o estrago já havia sido feito: uma forte queda nas ações da Apple e suspeitas de um ataque deliberado para obter ganhos financeiros. Ou seja, o jornalismo colaborativo não é somente passível de erros como também não está isento de interesses pessoais.

Mas há também críticos dos jornais impressos e da grande mídia, principalmente os defensores da mídia alternativa e do midialivrismo. Segundo eles o jornalismo da chamada “mídia hegemônica”, que é fruto da sociedade e deveria servi-la com isenção, tem sua credibilidade corrompida por sua ligação com os anunciantes. A venda de anúncios gera um lucro superior à venda dos jornais, o que pode criar uma dependência do jornal com seus anunciantes públicos e privados.

A crise econômica tem acalorado ainda mais a questão da falta de isenção. No caso da ajuda financeira do presidente francês Nicolas Sarcozy de 600 milhões de euros para salvar o jornalismo impresso francês como ficará a credibilidade dos jornais diante do governo que o sustenta ? Uma contraposição interessante partiu de um dos jornais mais prejudicados pela crise: o New York Times defende o custeio dos jornais impressos através de doações feitas por pessoas e intituições filantrópicas. Teremos então uma disputa entre o jornal feito por cidadãos e o jornal financiado por cidadãos ?

A “disputa” entre as duas mídias é na verdade um debate artificial pois ambas as alternativas não são mutualmente exclusivas. O jornalismo cidadão não é superior e nem irá substituir o impresso assim como a tevê não substituiu o rádio. Deve-se entender estas mídias como linguagens e fontes de informação diferentes, cada uma com sua crise de credibilidade.

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