Remixagem e convergência de mídias na Intercom Nacional 2011

Intercom 2011
As comunidades virtuais se apropriam cada vez mais dos meios de comunicação, para personalizar, reinterpretar e remixar as narrativas disponíveis. Essa é a conclusão obtive a partir de diversos pesquisadores ao participar, nos dias 5 e 6 de setembro, da Intercom Nacional 2011, maior congresso de comunicação do Brasil e da América Latina, cuja edição deste ano ocorreu em Recife (PE) na Unicap.

O tema principal deste congresso foi “Quem tem medo da pesquisa empírica?”, questão que implica em primeiro observar e experimentar as relações mediadas da comunicação. Uma análise sem o filtro dos meios de comunicação em massa e que deve usar metodologias claras para embasar as observações, sem adotar achismos que nascem do senso comum.

E foi por meio dessa observação empírica que muitos pensadores da comunicação apontaram a apropriação de narrativas pelas comunidades das redes sociais. No caso do Grupo de Pesquisa Ficção Seriada, Josefina Tranquilin (FCAD/CEUNSP) e Claudia Pontes Freire (ECA/USP) estudaram, respectivamente, o Orkut e o Twitter de forma a monitorar o conteúdo gerado por fãs de novelas seriadas.

Mas além das reinterpretações dos receptores, a própria “grande mídia” busca adaptar suas narrativas para novos suportes, como na mídia móvel dos televisores instalados em transportes públicos em São Paulo, como revelam Silvia de Jesus (USP) e Neide de Arruda (USP) e nos dispositivos móveis dos tablets.

Nesse último caso, apresentei, na Intercom Jr, minha pesquisa sobre como a revista impressa progrediu para a sua versão digital e interativa na mídia tablet. Progressão que levou a revista criada no tablet a se apropriar dos melhores elementos da publicação impressa, das mídias digitais e de elementos únicos dos tablets, como a possibilidade de apresentar dois layouts de página, um layout vertical e um horizontal. Tudo isso converge para uma nova narrativa, diferente daquela originalmente disposta na revista impressa.

Para nós, jornalistas, esse novo mundo de remixagens e convergências de mídias exigirá novas habilidades: teremos que saber adaptar informações para os mais diversos suportes, monitorar a apropriação dessas informações pelas comunidades virtuais e saber como reagir e interagir com essas comunidades, ou seja, seremos gerenciadores de narrativas.

Isso já era perceptível desde o surgimento da Web 2.0, mas agora temos a diversificação de diversos dispositivos móveis de informação, aumentando a inclusão digital e a participação do receptor na narrativa que tem acesso, a qualquer hora, em qualquer lugar, nas mais diversas comunidades, sejam reais ou virtuais.

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