Adiado julgamento sobre Lei de Imprensa e recurso contra diploma de jornalismo

2 de abril de 2009

No dia 1º de abril o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou julgamentos importantes para o exercício da profissão do jornalismo. Está em questão a revogação da Lei de Imprensa e também recurso contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão. O relator do caso da Lei de Imprensa, Carlos Ayres Britto, e o ministro Eros Grau já anteciparam seus votos a favor da revogação total da lei. Carlos afirma que a Lei de Imprensa é incompatível com a Constituição Federal. O presidente do STF, Gilmar Mendes, não votou no caso mas defendeu no final da sessão uma legislação que proteja o direito de resposta. Direito que segundo ele, se encontrará no vácuo jurídico caso a Lei de Imprensa seja totalmente revogada. O julgamento sobre a Lei de Imprensa será retomada no dia 15 de abril.

No caso da obrigatoriedade do diploma ainda não foi definida nova data para julgamento. A questão divide opiniões de empresas, sindicatos e movimento sociais. A Folha de São Paulo defende o fim da obrigatoriedade. Segundo a empresa o jornalismo não requer diploma por ser uma profissão livre, baseada na liberdade de expressão e na democracia. O crescimento do jornalismo cidadão na internet é, para a Folha, um sinal de atraso da lei em relação aos rumos da sociedade. O movimento midialivrista, formada por defensores da mídia alternativa, também defende o fim da discriminação dos jornalistas sem diploma. Para o movimento a mídia colaborativa (que não requer formação superior) permite a visibilidade de grupos marginalizados pelas grandes mídias.

No lado oposto está a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), que faz campanha a favor do diploma obrigatório. Para a FENAJ o fim do diploma significaria a queda da qualidade dos profissionais , que não seriam mais obrigados a ter uma formação de nível superior. A instituição afirma que a queda de qualidade pode comprometer o atendimento aos interesses públicos e o exercício ético e responsável da profissão. O professor Pedro Courbassier, que leciona a prática do jornalismo em centro universitário, acredita que o diploma não é garantia de qualidade mas permite filtrar quem não tem competência. Baseia-se em comentário do jornalista Carlos Nascimento sobre o tema: “O diploma não forma bons jornalistas. Atrapalha os maus…”


Curso de jornalismo: o projeto do CEUNSP

30 de março de 2009

ceunsp-fca1Para quem estuda jornalismo uma das principais dificuldades é poder praticar o seu ofício. Não é possível realizar estágios remunerados. É uma norma louvável, que visa proteger o emprego de jornalistas já formados. Os estudantes poderiam substituir as vagas destinadas aos profissionais pelo fato de receberem piso salarial menor. Mas para muitos o estágio representa um meio de conhecer o ambiente de trabalho dos jornalistas além de adquirir a experiência prática da profissão. Por isso as faculdades de jornalismo devem permitir aos seus estudantes o conhecimento da práxis jornalística através dos jornais-laboratórios, estúdios de telejornalismo e rádiojornalismo.

O CEUNSP (Centro Universiteario Nossa Senhora do Patrocínio), neste primeiro semestre de 2009, propõe uma nova metodologia para o desenvolvimento da prática jornalística em ambiente acadêmico. A mudança do curso de jornalismo é parte da reformulação de todos os cursos da Faculdade de Comunicação e Artes (FAC). O projeto é ousado, propondo que os estudantes produzam materiais de comunicação e que sejam avaliados pelo resultado obtido. Os objetivos são vários: manter um jornal mensal, elaborar programas de rádio e tv, organizar eventos como a Miss Salto 2009, etc.

Os projetos de rádio, tv, jornal, eventos, entre outros, fazem parte dos Projetos Integrados (PI). Cada PI é formado por grupos de trabalhos (GTs). Os grupos são compostos por estudantes com objetivos específicos. Por exemplo: um Projeto Integrado de Telejornalismo pode ter um Grupo de Trabalho com três repórteres, um GT com dois pauteiros e outro GT com 5 assistentes de produção.

Cada GT é formado por estudantes do mesmo curso e semestre mas que estão em constante interação com outros GTs. No caso do Projeto de Telejornalismo os estudantes de Jornalismo e Rádio e Tv devem trabalhar em conjunto, um cuidando exclusivamente da produção jornalística e o outro produzindo e editando as imagens. Alunos dos últimos anos recebem o cargo de chefia dos projetos, enquanto os que estão no 2º e 3º anos ficam com a parte de produção, para os calouros há os cargos de assistente.

É tudo uma grande novidade. De repente os alunos são responsáveis pelos programas de Tv, rádio, jornal e os eventos da faculdade. Pretendo publicar aqui o resultado dos meus colegas. Espero que esta seja uma grande oportunidade para divulgar a competência e a criatividade de todos que se dedicam aos cursos de Artes e Comunicação.


Podcasts sobre jornalismo

24 de janeiro de 2009

As redes sociais estão diminuindo todas as distâncias do conhecimento, destruindo todas as barreiras da informação. Os centros universitários já não são torres de marfim cujo saber é reservado apenas aos seus seletos alunos. Nem as palestras de jornalistas veteranos se restrigem a poucos afortunados.

Já pensou ter aulas de jornalismo em Stanford, na California ? Ou ouvir as opiniões de jornalistas como Paul Krugman, vencedor do Nobel de economia ?

Pois com os podcasts é possível ouvir, no conforto de sua casa, aulas e palestras de jornalismo. Podcast é um arquivo de áudio distribuido pela internet. Sua palavra vem da junção de “iPod”, tocador de MP3 da Apple, com a palavra “broadcast” que significa “transmissão” em inglês. No iTunes, programa gratuito de exibição digital de música e vídeo da Apple, basta acessar o canal iTunesU para ouvir diretamente ou fazer o download das mais diversas aulas e leituras. O único entrave para o acesso a esses podcasts é a língua inglesa. Os principais canais do iTunesU que lidam com podcasts jornalísticos são os da Universidade de Stanford, da American Public Media e da CUNY – City University of New York.

Os podcasts das universidades brasileiras ainda avançam timidamente. Mas já há caminhos sendo trilhados tanto por acadêmicos como por blogueiros, incluindo discussões sobre o novo  jornalismo 2.0.

Tem o Podcast1, com seção dedicada ao jornalismo, que possui extensa lista de trabalhos universitários. Outra fonte é o Papo JOL, cujos podcasts são apresentados por Alexandre Carvalho e Mario Lima Cavalcanti, o enfoque principal da dupla é a discussão do jornalismo digital. Também merece destaque o podcast de Alexandre Sena sobre a adaptação dos jornalistas “das antigas” à internet e o podcast de André Deak sobre o conceito de jornalismo open source, um jornalismo cujas fontes para a criação da matéria são não somente acessíveis aos leitores como também disponíveis para reconfiguração.


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