Resenha: Jornalismo de Revista, de Marília Scalzo

29 de janeiro de 2012

E o Foca Mais está de volta, versão 2012! Este ano já estreou cheio de pautas para nós jornalistas e estudantes de jornalismo. Sobre a nossa profissão, continuaremos acompanhando no Senado a questão da PEC do diploma, veremos o avanço dos dispositivos móveis e sua influência no jornalismo digital, teremos mudanças nas regras de concessão de rádio e TV. E, claro, novas edições de eventos e concursos voltados para os estudantes de jornalismo.

E, para iniciar as atividades do blog , farei uma resenha sobre o livro Jornalismo de Revista, de Marília Scalzo, publicação que me serviu de fonte bibliográfica durante a elaboração do meu TCC sobre revistas digitais para tablets.

 

Jornalismo de Revista, de Marília Scalzo

Jornalismo de Revista é parte da Coleção Comunicação, coordenada por Luciana Pinsky e publicada pela Editora Contexto. Trata-se de uma coleção que aborda as diversas editorias e mídias jornalísticas, escritos por profissionais do ramo. No caso deste livro, voltado para o suporte revista, quem aborda o tema é Marília Scalzo, jornalista que dirigiu por doze anos o Curso Abril de Jornalismo.

Ela aborda a mídia revista como um produto além do impresso. Trata-se de uma marca, um conjunto de serviços e relações com o leitor que mistura jornalismo e entretenimento. Uma marca que busca uma relação íntima com o leitor que busca se identificar com a revista. A questão da segmentação é crucial, a revista não é exatamente um produto de comunicação em massa, ela busca seu leitor específico, para encontrá-lo e falar na língua dele.

Além de enfocar o conceito de uma revista, a autora também faz um resumo da história da revista no mundo e também no Brasil: de As Variedades, criado na Bahia em 1812, passando pelas grandes revistas semanais ilustradas como o Cruzeiro e Manchete e terminando na segmentação dos anos 60 e 70, com revistas femininas, masculinas e de esportes. Marília também destaca tendências recentes do mercado, como a customização (revistas feitas sob encomenda por empresas e instituições) e revistas populares voltadas para a classe C.

A relação da revista com os meios eletrônicos também é abordado, mas sucintamente. O texto foi publicado em 2003, momento em que as redações ainda buscavam entender como a Internet poderia complementar o impresso. Obviamente, não há enfoque no atual momento da popularidade dos dispositivos móveis e a expansão das editoras por meio das revistas digitais.

Sobre jornalismo para o meio revista, Marília não o diferencia dos princípios que regem o bom jornalismo em geral, incluindo a apuração das informações, respeito à ética profissional e o bom texto. Um bom texto que, no caso da revista segmentada, deve evitar cair na tentação dos jargões ou ser tão especializada que seja difícil para leitores novatos na área.

Além do texto, há a importância do jornalismo visual, de pensar na capa, nas imagens, no layout, na importância do design na revista para passar a informação de forma agradável e legível para o leitor.

Trata-se de um livro de leitura agradável, como se fosse o próprio texto de uma revista, que busca conquistar um leitor ávido sobre jornalismo para periódicos. As informações são claras, embora não há espaço para aprofundamentos nos diversos temas abordados, mas o livro é uma boa introdução ao rico e complexo universo editorial das publicações periódicas.

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Resenha: Cale-se, de Caio Túlio Costa

26 de janeiro de 2009

 

Cale-se, Caio Túlio Costa. São Paulo, A Girafa Editora, 2003.

Cale-se, Caio Túlio Costa. São Paulo, A Girafa Editora, 2003.

 

Cale-se, livro reportagem de Caio Túlio Costa, relata a história do  show que Gilberto Gil realizou na USP em 1973. Diante de mais de mil estudantes Gil cantou pela primeira vez  “Cálice”, composta por ele e Chico Buarque, canção clandestina pois foi proibida pelo regime militar.

Caio se preocupa em mostrar no livro todo o contexto político e social que envolveu o show para então explicar porque a apresentação de Gil representa um ponto de mutação no movimento de resistência à ditadura.

Esse ponto de mutação é a formação de uma nova esquerda que passa a se auto-criticar e trocar a luta armada pela mobilização de massas. O início desse processo foi a morte de um militante da luta armada, Alexandre Vannucchi Leme, da Ação Libertadora Nacional (ALN). A morte de Vannucchi em uma cela do DOI-CODI  iria unir os estudantes das mais diversas tendências esquerdistas. Sua missa, celebrada por D. Paulo Evaristo Arns,  representa a primeira manifestação política estudantil após a instituição do AI-5.

Nesse clima intenso de repressão e com a desarticulação de movimentos armados os estudantes procuravam uma forma de continuar a combater o regime. E é com a apresentação de Gil e sua discussão com os estudantes que o artista contestou a luta armada como única forma de superar os obstáculos. Gil, tropicalista acusado pelos esquerdistas de se distanciar das músicas de protesto, também argumentou que a necessidade de se fazer música engajada era mais uma forma de censura para a criação artística e que a música não pode ser utilitária.

Com o testemunho de quem participou da resistência estudantil e com arquivos resgatados do DOPS o autor reconstitui todo o clima de opressão, paranóia e isolamento dos estudantes da USP. O livro é uma importante fonte de pesquisa para conhecer a história da resistência estudantil após o AI-5 e as origens dos partidos de esquerda que nos últimos anos tem dirigido o Brasil: o PSDB e o PT.


Olá Focas!

23 de janeiro de 2009

Olá a todos !

Este é o primeiro post do FOCA MAIS, um blog voltado para todos os “focas” do Brasil. Aqui vocês encontrarão diversos tópicos voltados para o aprendizado desta árdua e nobre profissão chamada jornalismo:

– Acompanhamento das mudanças mais importantes do jornalismo. Principalmente em relação ao novo jornalismo 2.0,  interativo, participativo e onde o leitor se torna colaborador da notícia.

– Análise de idéias, conceitos e teorias usados em sala de aula. A “indústria cultural” de Adorno, a pirâmide invertida, folkcomunicação…

– Resenhas de livros, filmes, peças teatrais e outras manifestações artísticas importantes para o repertório de todo jornalista. De “Citizen Kane” de Orson Welles ao “Chatô – O rei do Brasil” de Fernando Morais. 

– Divulgação de blogs, eventos e cursos voltados aos estudantes de jornalismo. Em maio já teremos a Intercom !

– Discussões sobre o curso universitário de jornalismo: Você é a favor da obrigatoriedade do diploma ? O que você acha das regras atuais sobre o estágio ? Os cursos devem ter maior enfoque no jornalismo digital ?

-Charges do Foca, o mascote do blog !

Espero que este seja o começo de uma agradável experiência, onde poderemos vislumbrar juntos a maravilhosa experiência de informar e sermos informados.

Abraços !


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