Sites e portais de notícias como meio jornalístico

21 de fevereiro de 2012

O governo brasileiro estuda o enquadramento da portais e sites de notícias como meio jornalístico. A iniciativa ocorre devido ao questionamento da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) sobre as leis de comunicação nacionais. No momento, o  ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, aguarda um parecer da AGU (Advocacia-Geral da União) sobre o assunto.

O questionamento surgiu com o interesse do portal de notícias americano Huffington Post em estabelecer uma filial brasileira (atualmente o portal já tem filiais no Canadá, França e Reino Unido). Mas o interesse pode contrariar as leis brasileiras, especificamente o Artigo 222 que impõe um limite de capital estrangeiro em mídias tradicionais em 30%. A Abert defende que esse limite também seja respeitado por portais e sites que produzam conteúdo jornalístico no Brasil.

O presidente da Abert, Emanuel Carneiro, defende a proteção do conteúdo jornalístico nacional por sua natureza, ao invés de seu suporte: ““O artigo 222 abrange toda e qualquer empresa jornalística, seja mídia impressa, radiodifusão ou internet, não importa o meio, mas a natureza do que é produzido”.

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Interessante notar que a onda de investimentos estrangeiros no Brasil também inclui o interesse em conteúdo jornalístico, e mais, em jornalismo digital. Naturalmente, há uma resistência sobre investimentos dessa natureza, e as razões são várias. Além de proteção para as empresas nacionais já estabelecidas, há o risco de que as informações e notícias produzidas por quem tem capital estrangeiro atendam especificamente os interesses dos investidores e não os interesses nacionais.

A questão também é interessante pois são os sites e portais de notícias que serão enquadrados como meio jornalístico e não a Internet inteira. Mas quais os limites para determinar o que é ou não um site jornalístico? Afinal, mesmo portais de entretenimento podem conter uma seção ou outra dedicada a informações. E sites que apenas fornecem espaço para a divulgação de mensagens produzidas pelos internautas? Eles também não contam com conteúdo jornalístico, especificamente o de jornalismo cidadão? Curiosamente, o CEO do Twitter, Dick Costolo, já chegou a declarar em uma conferência que sua empresa não é uma companhia de mídia pois ela distribui notícias ao invés de produzí-las.

Se depender da perspectiva de Costolo, conteúdo produzido por cidadãos, sem interferência dos organizadores do site, não faz do site um meio jornalístico, o que pode determinar a diferença entre conteúdo produzido por jornalistas profissionais e por cidadãos nas leis brasileiras.

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Sobre a criação de revistas digitais para tablets

21 de dezembro de 2011

Apresentei no dia 9 de dezembro de 2011, no Teatro Escola do CEUNSP-Salto, o meu trabalho de conclusão do curso superior de Jornalismo. O tema foi a criação da revista digital Sorria para tablet. Foram meses de muito trabalho, afinal, tratava-se de pesquisar a produção de revistas digitais para o suporte tablet, assunto que carece de bibliografia acadêmica na área.

Defendi a ideia de que uma revista digital não é somente um arquivo digital fechado (como um arquivo PDF, por exemplo) que é visualizado em uma tela. Uma revista digital deve usar todos os recursos que seu suporte pode oferecer. Como já dizia o filósofo Marshall McLuhan: “O meio é a mensagem”. Foi preciso, portanto, analisar a revista digital como uma nova mídia, composta por elementos da revista impressa (periodicidade, segmentação, portabilidade), elementos da narrativa digital (multimidialidade, interatividade, hipertextualidade) e elementos únicos do tablet (páginas com dois layouts para visualização vertical e horizontal, eixo de leitura da esquerda para a direita e de cima para baixo).

Uma revista digital deve saber explorar esses recursos, mas não como uma forma extravagante de chamar a atenção, e sim passando informação de forma otimizada, unindo jornalismo e design para gerar uma nova experiência narrativa imersiva, na qual todos os elementos (layouts dinâmicos de páginas, textos, imagens, vídeos, áudios, infográficos interativos etc) se complementam.

Posso dizer que o resultado servirá como base para mais estudos e criações sobre revistas digitais e também sobre novas formas de narrativas digitais imersivas. Por fim, agradeço muito a todos os amigos e professores que me acompanharam nessa jornada! Super abraços!


Assista ao vivo o evento MediaOn 2011

23 de novembro de 2011

Confira o evento MediaOn, fórum internacional sobre os rumos das atividades dos jornalistas e profissionais de Internet e as tendências da informação no mundo digital, ao vivo, no link abaixo!

Ao vivo MediaOn.

[Você poderá assistir a várias palestras e debates em português ou com tradução em espanhol e inglês. A programação de 23 e 24 de novembro contam com quatro painéis a cada dia, confira aqui os horários e temas]


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